Bebés

Bebés: estímulos a mais, canções de embalar a menos

Os bebés estão a ser sobre-estimulados pelos pais e por profissionais, seja na creche ou em actividades estruturadas fora de casa. Cantar para eles e simplesmente «estar junto» é o melhor que os pais podem dar-lhes.

Os bebés estão a ser demasiado estimulados o que afecta vários aspectos do seu desenvolvimento e bem-estar, incluindo a vinculação com os pais. Quem o diz é Sylvie Hétu, especialista em massagem infantil, que colabora no livro «Too much, too soon» (Demais, demasiado cedo ¿ A Aprendizagem Precoce e a Erosão da Infância), acabado de lançar no Reino Unido. Preencher o tempo dos bebés com actividades estruturadas ¿ da adaptação ao meio aquático, passando pelo ioga, pela música ou pela ginástica ¿ é estimulá-los demasiado. Segundo Sylvie Hétu, o desenvolvimento das crianças é hoje estimulado deste o exterior com demasiada intervenção de profissionais quando o que os bebés precisam é apenas da presença calma dos pais, dos sons domésticos do dia-a-dia e de sentirem a companhia de alguém. E hoje precisam de ser protegidos de uma excessiva estimulação que pode mesmo condicionar a relação estabelecida com os pais. do toque e da voz humana são quanto basta para fazer um bebé feliz.
«Há bebés que têm agendas tão preenchidas como adultos», alerta Sylvie Hétu. Recuperar as velhas canções de embalar e lengalengas infantis é um conselho que dá aos pais. Muitos não cantam para os seus bebés, porque consideram que está fora de moda. Mas desde sempre, em todas as culturas, os pais cantam aos seus filhos e essa é uma forma inigualável de fortalecer laços.
Pôr um CD na aparelhagem não tem o mesmo efeito num bebé do que ouvir a sua mãe cantar para si. Mesmo que seja Mozart. Mesmo que se tenha esquecido da letra, entoe a melodia. Basta um la-la-la. E abrande o ritmo da estimulação. Aprender, descobrir o mundo, deve ser, para os bebés, um processo natural e espontâneo. Não force.