O grupo The Campaign for Safe Cosmetics pediu aos pais americanos um boicote
ao champô Baby Johnson's. Segundo a organização (uma aliança de várias associações não governamentais de todo o mundo), este
champô continua a conter substâncias cancerígenas na sua fórmula.
Está em causa a presença de 1,4-dioxane e de quartenium-15,
um conservante químico que destrói as bactérias pela libertação de formaldeídos. Estas substâncias aumentam o risco de cancro
e o aparecimento de alergias. Depois de há dois anos, o grupo ter alertado para o facto de alguns cosméticos para bebés conterem
substâncias nocivas, esperavam-se algumas mudanças. Mas segundo um relatório agora apresentado, a Jonhson & Jonhson continua
a manter em alguns países, incluindo os EUA, a fórmula inicial. O relatório tem o título "A banheira dos bebés ainda é tóxica".Entre Julho e Outubro deste ano, The Campaign for
Safe Cosmetics analisou a composição dos champôs Baby Johnson¿s comercializados em 13 países para avaliar se ainda
continham as substâncias em causa. E concluiu que nos EUA, Australia, Canadá, China e Indonésia, o champô continua a ser comercializado
com as referidas substâncias na sua composição. Pelo contrário, na Dinamarca, Finlândia, Japão, Noruega, África do Sul, Suécia,
Reino Unido e Holanda, o mesmo champô já está livre dos elementos prejudiciais.
Além destes resultados, o documento
conta com um abaixo-assinado com cerca de 3,5 milhões de assinaturas recolhidas em vários países. Se é possível à Johnson
& Johnson produzir o mesmo champô sem formaldeídos, a organização americana exige que o mesmo seja feito em todos os países,
pois todos os bebés merecem ser protegidos de substâncias cancerígenas. É assim exigido à multinacional que deixe de comercializar
produtos com substâncias nocivas até ao dia 15 de Novembro.
Por esta razão, apelam também a todos os pais para que deixem
de comprar o referido champô - uma forma de pressão para que a companhia altere a fórmula em todos os países.
Reformulação faseada é a promessa da companhia
A Jonhson & Jonhson emitiu ontem um comunicado
em resposta ao relatório "A banheira dos bebés ainda é tóxica" e anúncio de boicote por parte dos consumidores americanos.
Nele se afirma que todos os ingredientes usados pela companhia na produção dos seus cosméticos são seguros e aprovados pelos
organismos reguladores de cada país. No entanto, estão a ser reformulados de forma faseada os produtos que contêm formaldeídos,
porque a Jonhson & Jonhson sabe que há consumidores preocupados. Não estão a ser criados novos produtos com estas substâncias
e os que existem sofreram uma redução de 33 por cento, em todo o mundo, e de 60 por cento nos EUA. Para ir ao encontro das
necessidades dos consumidores, a
Jonhson & Jonhson criou uma linha, a Jonhson¿s Natural, que não contêm conservantes
que libertem formaldeídos nem vestígios de 1,4-dioxane.
Uma representante da The Campaign for Safe Cosmetics
considerou encorajante que a multinacional esteja a fazer progressos no sentido de criar uma fórmula mais segura e natural
do seu champô que é já um ícone. Mas agora é tempo de garantir que todos os consumidores, em todo o mundo, tenham acesso a
essa fórmula.
A Jonhson & Jonhson criou a linha Natural, livre de substâncias nocivas. Mas o champô desta gama custa,
nos EUA, o dobro do clássico Baby Johnson's.
Em Portugal o champô Baby Johnson's não contém
Quaternium-15, apenas vestígios de 1,4 dioxano
Na União Europeia, incluindo Portugal, foi descontinuado pela
Jonhson & Jonhson o uso de conservantes que libertam formaldeído (tal como o Quaternium-15) na composição dos produtos de
bebé, segundo declarou José Silveira da Cunha ao IOL Mãe. Também já não são introduzidos novos produtos que contenham este
tipo de conservantes.
Quanto ao 1,4 dioxano, José Silveira da Cunha afirma que em Portugal, tal como em toda a União
Europeia, os produtos para bebé da Jonhson & Jonhson são formulados com níveis residuais desta substância. Estes níveis, afirma,
situam-se muito abaixo dos níveis máximos considerados seguros pelas autoridades regulamentares da EU, incluindo o Infarmed
em Portugal.
O porta-voz da companhia informou ainda que a lista de ingredientes, e respectiva quantidade, que fazem
parte da composição dos produtos é informação confidencial.
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