Anatomia
de uma birra
Para ¿dissecarem¿ as birras, os investigadores criaram um fato especial com um microfone incorporado
e gravaram mais de 100 birras. Depois analisaram as gravações e estabeleceram padrões, com a ajuda de gráficos. Analisaram
também vídeos domésticos cedidos por pais. Perceberam que os mesmos sons surgiam, normalmente, com um padrão definido:
- Primeiro os gritos agudos e berros.
- Depois acções físicas como arremessar coisas e atirar-se para o chão.
- Por fim, choro e lamentos e a necessidade de consolo.
Seja qual for o tempo de duração ou a frequência com que acontecem,
todas as birras seguem este padrão.
Gritos agudos e berros podem a certa altura ocorrer em simultâneo com pontapés. Choro e lamento também podem ter início quando a criança está no chão. Mas a sequência é sempre a descrita.
Um turbilhão de emoções em simultâneo
Por outro lado, não é verdade que a fúria e a tristeza correspondam a duas
fases distintas da birra. As duas emoções estão muito interligadas e podem estar presentes ao longo de todo o episódio. Lamentos
que revelam tristeza e picos de gritos que revelam raiva vão-se intercalando ao longo da birra.
O
melhor que os pais podem fazer: nada!
O segredo para que a birra acabe rapidamente é deixar que a criança passe
pelos picos de raiva que fazem parte de todas as birras e não os prolongar. Como? Não fazendo nada. É difícil, claro, mas
os pais devem perceber, segundo Michael Potegal, que a raiva é uma armadilha. Qualquer reacção, mesmo que seja fazer perguntas,
só vai prolongar a birra. Tentar conversar é acrescentar informação a um sistema que já não consegue lidar com mais nada.
Da mesma forma, não se deve responder racionalmente a exigências irracionais que as crianças fazem enquanto estão a
ter uma birra. Nessa altura, nos picos de raiva, só se deve mesmo esperar que passe.
Assim que a criança expressar toda
a raiva que tem de expressar, só vai ficar a tristeza e a procura de consolo.
As birras fazem
parte do desenvolvimento, não resultam de incompetência educativa dos pais
Analisadas cientificamente as birras
não são muito diferentes de fenómenos naturais, como a trovoada, por exemplo. Entender o seu fluxo e padrão, vai dar aos pais
uma sensação de controlo que é muitas vezes o que lhes falta e o que pode agravar a situação.
Os pais não devem sentir-se
culpados pelas birras, o que por vezes acontece - sobretudo quando as birras ocorrem em público e há olhares reprovadores
perante a cena, como se ela resultasse da incompetência deles. Fazem parte do processo de desenvolvimento. Com este ponto
de partida, só têm de saber como ajudar a criança a chegar ao fim, em vez de contribuir para prolongar o fenómeno.
público alvo
distrito
concelho