Crianças

Dá um beijinho à tia, dá!

Forçar as crianças a dar beijinhos quando não têm vontade é passar-lhes uma mensagem errada e perigosa.

Para as crianças, o Natal é magia, surpresas e muita brincadeira. Mas nem todas suportam com o mesmo sorriso a via sacra de cumprimentar os imensos familiares e amigos à chegada e à saída das infindáveis festas.
Há crianças que são seres sociais por natureza e que adoram as reuniões familiares para se relacionarem e pôrem o seu charme a funcionar. Mas há outras, mais tímidas, ou menos interessadas no lado social da vida, para quem os cumprimentos são uma maçada ou mesmo uma tortura. Já pensou na mensagem que está a passar-lhes ao forçá-las a dar beijinhos a toda a gente, queiram ou não queiram, tenham ou não vontade?
O contacto físico, para demonstrar afecto ou enquanto diversão, deve ser sempre uma escolha de todas as pessoas envolvidas, mesmo que sejam crianças. E nunca deve ser um segredo. Se as crianças aprenderem esta regra, estarão mais protegidas de abusadores.
Quem o diz é Amy Tiemann, do programa KidPower, organização que trabalha pela prevenção de abusos sexuais e bullying em vários países.
Mas se passarmos a mensagem que em certas situações os adultos podem exigir contacto físico, têm esse direito, mesmo sem o acordo ou vontade da criança, estamos a passar a mensagem errada.
Uma coisa é ensinarmos que se deve cumprimentar os familiares ou amigos à chegada e à saída. E ensinamo-los com o nosso exemplo. Outra coisa é forçar crianças mais tímidas a um contacto que não desejam. Ao fazê-lo, corremos o risco de de torná-las mais frágeis e vulneráveis e contactos mal-intencionados.
As crianças devem aprender que têm o direito de estabelecer limites em relação ao contacto físico e que devem fazê-lo de forma clara e confiante sempre que não se sintam confortáveis. É confuso para elas se tiverem de esconder o seu desconforto e agir contra a sua vontade em certas situações. Ficam com a ideia de que, para os pais, a boa educação é o mais importante de tudo e essa ideia pode ser muito prejudicial e perigosa em certas situações. Um dos princípios do programa KidPower é que a segurança de uma criança é mais importante do que qualquer embaraço, inconveniente ou ofensa.

Dicas para a hora dos cumprimentos:

- Se o seu filho diz não, proteja-o. Cabe-lhe evitar, com diplomacia, que as pessoas mais velhas se sintam ofendidas.
- Retire a atenção que recai sobre a criança, falando de outro assunto. Se não estiver toda a gente a olhar para ela e a à espera de ver se dá ou não beijinho, tudo fluirá mais facilmente.