Sexismo e estereótipos de género são mais comuns em crianças que não convivem com o sexo oposto.
As crianças que frequentam escolas onde só há rapazes ou só há raparigas têm mais probabilidades de aceitar e veicular estereótipos
de género. Ou seja, de virem a ser pessoas sexistas e preconceituosas relativamente ao sexo oposto. Este tipo de educação
tem efeitos negativos pois legitima o sexismo institucional. É a conclusão de um estudo realizado por investigadores de seis
universidades americanas que analisaram dados de vários estudos anteriores relativos a esta questão. Segundo os autores
do estudo, não há evidências de que meninos e meninas aprendam de forma diferente, nem que os seus resultados sejam melhores
quando separados. Além disso, os rapazes quando separados das raparigas tornam-se mais agressivos e revelam mais problemas
de comportamento. A troca de argumentos entre os defensores do ensino separado e das escolas mistas promete, assim,
continuar. Para os autores deste novo estudo, publicado no jornal científico Science não há evidências de que o ensino
separado tenha vantagens. Os bons resultados académicos, apontados por muitos, provavelmente devem-se mais à selecção rigorosa
de alunos que é feita neste tipo de escolas do que propriamente ao facto de não poderem conviver com crianças do sexo oposto.
Os efeitos negativos, pelo contrário, tornam-se evidentes. Não permitir que rapazes e raparigas trabalhem e estudem em conjunto
é reforçar e enraizar preconceitos.