Estima-se que a automutilação atinja 15 por cento dos adolescentes. A novidade é estar a afectar crianças com menos de dez
anos, algumas ainda em idade pré-escolar.A automutilação é um comportamento frequente em adolescentes com situações de grande instabilidade emocional ou vítimas de
abuso de qualquer espécie. Mas até crianças mais novas podem desenvolver este tipo de resposta ao sofrimento. Foram divulgados
números oficiais relativos ao cenário da saúde mental infantil, na Grã-Bretanha, que deixaram o país chocado: nos últimos
dez anos, 1800 crianças com menos de 10 anos receberam tratamento hospitalar devido a lesões provocadas por automutilação.
No ano passado foram 150 as crianças com menos de 10 anos que precisaram de cuidados médicos no hospital por se ferirem a
si próprias, mas o mais impressionante é que 80 ainda estavam em idade pré-escolar.
O governo britânico, está a reformular
os serviços de saúde mental infantil, através de uma instituição chamada YoungMinds. A responsável deste organismo, Lucia
Russell, espera que estes números funcionem como sinal de alerta para toda a sociedade. «A automutilação é muitas vezes desvalorizada,
considerando-se apenas uma chamada de atenção por parte da criança ou adolescente. Mas é um sinal de profundo sofrimento interior,
um sofrimento com o qual a criança não está a conseguir lidar», explica.
Em Portugal
Em Portugal, segundo um estudo recente (apresentado em Abril deste ano em Lisboa), 15,6 por cento dos adolescentes já
se automutilaram. Este estudo contou com uma amostra representativa - envolveu 5050 adolescentes com média de idades de 14
anos e a frequentarem entre o 6º e o 10º ano de escolaridade. Para Margarida Gaspar de Matos, coordenadora do estudo, este
problema cresceu sem que a sociedade e os profissionais de saúde se tivessem apercebido da sua dimensão.
Os adolescentes
que se automutilam são também aqueles que revelam mais comportamentos de risco como consumo de tabaco, álcool e drogas; são
os que têm mais dificuldade em fazer amigos, os que mais se envolvem em casos de violência e bullying, aqueles que têm pais
mais distantes, e aqueles que mais têm uma consciência corporal distorcida.