Crianças

Parques infantis: a segurança roubou a diversão?

Crianças em idade pré-escolar são hoje menos activas porque os espaços de recreio são menos estimulantes.

Os parques infantis são hoje mais seguros do que há algumas décadas. Mas também mais aborrecidos. Segundo os resultados preliminares de um estudo realizado nos EUA, os espaços exteriores das escolas, dedicados às crianças de idade pré-escolar, são menos divertidos e estimulantes. Essa é uma das razões que explica por que são as crianças hoje menos activas. E, por outro lado, por que se aborrecem mais.
Os desafios existentes nas estruturas para brincar são rapidamente dominados pelas crianças e estas depressa perdem o interesse. Os escorregas são baixos e as escadas ou estruturas para trepar e escalar são demasiado fáceis.
O estudo envolveu 49 educadores de infância, de 32 infantários. Concluiu que existem vários obstáculos a uma actividade física saudável por parte das crianças: por um lado, as leis demasiado restritivas, por outro o medo de lesões e também a prioridade dada pelos pais às aprendizagens na sala, em detrimento do tempo de brincadeira ao ar livre.
O estudo apurou que os pais, mesmo os que têm crianças com apenas três anos, dão prioridade à aprendizagem académica tradicional ¿ as crianças sentadas a ouvir e o professor a ensinar. Ora as crianças nesta fase, é sabido, aprendem com o corpo, no contacto com a natureza, aprendem a experimentar, desenvolvem-se a testar os seus limites. E está provado que corpos preguiçosos, inactivos, geram mentes também preguiçosas e inactivas.
Um estudo publicado há poucos dias revelou que as crianças mais activas são as que têm melhores resultados escolares. Um outro já anteriormente tinha revelado que as crianças se concentram mentalmente de forma mais produtiva após um período de actividade física vigorosa.
É claro que a segurança é prioritária, mas os autores do estudo alertam para a necessidade de criar espaços e desafios mais estimulantes para as crianças, dentro do que é considerado seguro. A directora do programa Safe Kids Worldwide reagiu às conclusões do estudo, publicadas no jornal da Academia Americana de Pediatria Pediatrics, dizendo que são provocadoras e que ¿uma criança com uma lesão cerebral ou uma fractura vai tornar-se ainda menos activa¿. O estudo foi financiado pelo National Heart, Lung and Blood Institute, uma organização sem fins lucrativos que promove hábitos de vida saudáveis.