Não existe qualquer ligação entre dormir na cama dos pais e o surgimento de problemas cognitivos e de comportamento.
Partilhar a cama com os filhos é uma das práticas educativas mais polémicas. Mas talvez seja também aquela que todos
os pais, a certa altura já experimentaram. Mesmo que aqueles que a consideram negativa. Os que confiam mais no instinto,
defendem que dormir em família é saudável e recomenda-se. Mas muitas são as vozes que se levantam contra os perigos. Apesar
de favorecer a amamentação, a comunidade científica desaconselha esta prática pois dormir com os pais nos primeiros meses
de vida aumenta o risco de Síndrome da Morte Súbita. Em relação às crianças mais crescidas, a partir do primeiro ano
de vida, é voz corrente que a cama dos pais é nociva para o desenvolvimento psicossocial, pois torna-as mais dependentes,
não favorecendo a autonomia. Mas será realmente assim? Poucos estudos foram feitos no sentido de compreender os efeitos de
partilhar a cama dos pais, mas ideias feitas existem muitas. Na edição de Agosto do jornal Pediatrics pode ler-se
a apresentação de um estudo que analisou o desenvolvimento de 944 crianças. Foram avaliadas aos 12 meses, aos dois anos, aos
três e aos cinco. Os autores declaram que não foram encontradas diferenças quanto ao comportamento e desenvolvimento cognitivo
entre as crianças que partilharam a cama dos pais e aquelas que dormiram na sua própria cama. E não foi estabelecida qualquer
ligação entre problemas cognitivos e de comportamento e o facto de se ter dormido com os pais. Por isso, os pais devem
tomar decisões quanto ao local onde as crianças dormem baseados nas suas especificidades enquanto família e escolhendo em
função da forma que acreditam ser aquela que mais contribui para a qualidade de sono da criança e da família.