Centenas de grávidas com embriões saudáveis recebem a cada ano o diagnóstico de perda gestacional ou gravidez anembrionária,
quando afinal estava tudo bem. A maior parte acaba por interromper a gravidez e nunca chega a saber do erro.
Estima-se que no Reino Unido possam chegar a 400 por ano o número de diagnósticos errados de perda gestacional. Na maior parte
dos casos, levam a um aborto provocado para «limpeza» do útero. Números avançados pelo professor Tom Bourne, do Imperial
College London, líder de um estudo que acompanhou mil mulheres grávidas a quem foi dito, na sequência de uma ecografia, que
tinham perdido o bebé. Podem ser várias as razões que levam ao erro de diagnóstico. Se uma grávida sofre uma hemorragia
ou dores abdominais, nas primeiras semanas da gestação, os médicos avaliam, por meio de ecografia, o tamanho do saco embrionário,
a existência ou não de embrião visível e o seu batimento cardíaco, relacionando tudo isso com o suposto tempo de gravidez.
Em caso de dúvida ¿ por vezes o embrião ainda não é visível nem audível o seu batimento cardíaco, mas pode estar lá - os médicos
devem repetir o exame passados sete a dez dias. Nessa altura devem voltar a medir o saco embrionário e se este não tiver crescido
então confirmam o diagnóstico de perda gestacional. Mas este método conduz a diagnósticos errados, pois há variações no crescimento
do saco amniótico, nem todas as gravidezes evoluem da mesma forma e nem sempre os tamanhos do saco coincidem com o intervalo
que vem nos manuais de obstetrícia. Sem que isso queira dizer que se está perante uma gravidez inviável. Também as situações
em que o embrião ainda não é visível em determinado tempo de gestação e com determinadas medidas de saco embrionário podem
levar a diagnósticos de gravidez anembrionária (sem embrião) - mas o cálculo do tempo gestacional pode estar errado e o tamanho
do saco ser atípico, podendo haver também nestes casos diagnósticos errados. Os autores do estudo afirmam que é necessário
fazer mais investigação e pedem que sejam criadas de imediato novas guidelines que permitam evitar diagnósticos errados
e perdas de embriões saudáveis. Os resultados deste estudo foram publicado no jornal Ultrasound in Obstetrics.