Maternidade

Prefere um homem confiável ou um irresistível? Pílula condiciona escolha das mulheres.

Um efeito secundário dos contraceptivos orais até aqui desconhecido: a preferência por um homem sensível e de confiança para parceiro e pai dos futuros filhos, em vez do galã aventureiro e conquistador.

As mulheres que tomam a pílula tendem a interessar-se por homens sensíveis, estáveis e de confiança muito mais do que por homens arrojados, aventureiros e arrebatadores. É a conclusão de um estudo realizado na Universidade de Stirling, Escócia, que mostrou como as hormonas da contracepção oral, que tantas mulheres tomam todos os dias, podem condicionar as suas escolhas e levá-las a constituir família com homens que têm um perfil mais próximo do ideal de bom pai.
A razão está no facto de a pílula anular as flutuações hormonais normais que ocorrem durante um ciclo menstrual e que dão origem, em certos dias do mês (no período fértil) a uma preferência das mulheres por homens mais incisivos, fortes e galanteadores. No fundo, é uma estratégia da natureza ¿ que acontece em muitas espécies ¿ para aumentar as hipóteses de passar bons genes às gerações seguintes e de haver mais crias saudáveis e fortes.
Nas outras alturas do mês, as mulheres tendem a interessar-se mais por homens que sejam sensíveis e de confiança e que estejam presentes sempre que é necessário. Acontece que para as mulheres que tomam a pílula não existe variação e durante todo o tempo o seu interesse vai mais para este tipo de homens, que acaba por ser depois menos excitante para a vida sexual.
O estudo baseou-se nas respostas de 2519 mães dos Estados Unidos, República Checa, Grã-Bretanha e Canadá a um inquérito sobre vários aspectos do relacionamento com os seus parceiros e sobre o grau de satisfação e felicidade que sentiam nesse relacionamento. As mulheres que tomavam a pílula quando conheceram os seus actuais companheiros e pais dos seus filhos reportam menos satisfação sexual e sentem menos atracção por eles do que aquelas que não tomavam a pílula no início da relação.
Pelo contrário, estão mais satisfeitas noutros aspectos, como a confiança que eles inspiram e o envolvimento e apoio que dão na vida familiar. Talvez por isso, as relações das mulheres que tomavam a pílula quando conheceram os seus maridos ou namorados são mais duradouras do que aquelas que se iniciaram livres de contraceptivos orais ¿ em média mais dois anos.
O estudo foi publicado no jornal Proceedings of the Royal Society B.